Um olhar sobre as árvores

Semana 4 de 7 · 2017

Tamargueira

E Deus ouviu a voz do menino, e o anjo de Deus chamou a Agar desde os céus e lhe disse: “Que tens, Agar? Não temas, porque Deus ouviu a voz do menino onde ele está.”

Gênesis 21:17
Ler o texto original em inglês no Garden in Delight
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Um olhar sobre as árvores apresenta sete espécies de árvore, uma travessia ampla do jardim do Éden até a proeminência da palmeira no Domingo de Ramos, preparando o nosso coração para o dia em que Jesus foi pendurado num madeiro. Algumas árvores do caminho podem ser bem adequadas ao seu jardim; outras podem servir melhor à sua mesa, com frutos fáceis de achar na seção de hortifrúti do mercado. De um jeito ou de outro, o simbolismo e as conexões rendem camadas de tesouro escondido na Palavra de Deus.

Costumo achar a quarta semana da Quaresma uma semana atribulada. Nessa altura a força de vontade se cansa, e a pura determinação não passa no teste. De algum modo, algo aparece… um acontecimento que atrapalha vence os meus grandes planos de me apegar com atenção ao Senhor e às suas palavras. Toda a ambição de ser boa e de estar pronta para uma celebração de Páscoa significativa é jogada de lado, engolida pelo que parece ser mais urgente. Ufa. Em momentos assim, humildes, no fim da linha, exaustos, acho a história de Agar especialmente reconfortante.

Levantou-se, pois, Abraão de madrugada, tomou pão e um odre de água e os deu a Agar, pondo-os sobre o ombro dela; e, com o menino, a despediu. Ela partiu e andou errante pelo deserto de Berseba. Tendo acabado a água do odre, deitou o menino debaixo de um arbusto e foi assentar-se em frente, à distância de um tiro de arco, porque dizia: “Que eu não veja morrer o menino.” E, assentando-se em frente dele, começou a chorar.

Gênesis 21:14-16

O meu coração de jardineira se prende ao detalhe de ela acomodar o filho debaixo de um arbusto. A imagem dela buscando um abrigo tão rasteiro transmite o desespero, não é? Não consigo imaginar achar muito consolo sob os ramos baixos dos arbustos do meu jardim, porque esses cantos costumam ser lugares áridos. A sombra impede o crescimento do mato, sim — e também qualquer exuberância de forração macia, verdejante ou florida. O solo fica compactado, duro, pouco acolhedor, melhor coberto de palhada.

No entanto, a falta de conforto de Agar acaba sendo consoladora: mesmo nesse lugar desprovido, mesmo sendo ela a serva mandada embora, Deus vê Agar e acalma o seu sofrimento. Ele encontra a pessoa desfavorecida, por assim dizer, “debaixo do arbusto”. Deus ouve o choro e devolve a mãe e o filho à água.

E Deus ouviu a voz do menino, e o anjo de Deus chamou a Agar desde os céus e lhe disse: “Que tens, Agar? Não temas, porque Deus ouviu a voz do menino onde ele está. Levanta-te, ergue o menino, segura-o pela mão, porque eu farei dele uma grande nação.” Então Deus lhe abriu os olhos, e ela viu um poço de água; e foi encher de água o odre e deu a beber ao menino. Deus estava com o menino, que cresceu.

Gênesis 21:17-20

A tamargueira

Embora “arbusto” nessa história seja uma descrição genérica, muitos estudiosos da botânica bíblica — entre eles Lytton John Musselman, autor do site de plantas da Old Dominion University dedicado às plantas da Bíblia — atribuem esse arbusto a um dos grandes arbustos ou pequenas árvores do gênero Tamarix. A passagem seguinte, que se passa na mesma região, Berseba (Be’er-Sheva em hebraico), traz uma tamargueira, espécie comum na paisagem árida da região por onde Agar andava errante.

As tamargueiras têm porte geralmente arredondado, com ramos em formas curvilíneas e esculturais. As folhas são de um verde cálido, miúdas, em forma de agulha, dando à árvore uma aparência leve, quando não um pouco desalinhada. As pequenas flores branco-rosadas na primavera são uma vista refrescante.

“Para quem viaja pela Palestina, as tamargueiras… muitas vezes oferecem um toque suave de folhagem verde e a promessa de uma sombra fresca, das mais bem-vindas.”
Trecho traduzido de Harold N. e Alma L. Moldenke, Plants of the Bible, 1952, de Shelley S. Cramm, com autorização da autora.

Embora sejam árvores espertas com a água, claramente bem adaptadas a paisagens de pouca água, pense com cuidado antes de convidá-las ao jardim de casa, por causa do potencial invasor. Em vez disso, conheça essas plantas em caminhadas na natureza ao longo dos cursos de água do oeste americano e do Havaí.

“…Outras espécies de tamargueira encontradas no Levante também são conhecidas como cedros-do-sal, porque crescem facilmente em solo salino eliminando o excesso de sal pelas pontas das folhas. As árvores, porém, aumentam a salinidade do solo ao redor pela queda das folhas, impedindo assim o crescimento de outras plantas. Várias espécies de tamargueira foram introduzidas nos Estados Unidos no fim do século XIX como ornamentais e para controle de erosão, e invadiram preciosas áreas ribeirinhas e alagadas, sobretudo no sudoeste.”
Trecho traduzido de “Lay of the Land, Sinai Desert”, God's Word for Gardeners Bible, página 93, de Shelley S. Cramm, com autorização da autora.

Outras leituras sobre a tamargueira: Gênesis 21:22-34; 1 Samuel 22:1-8; 1 Samuel 31:1-13.

Consolo em tempos de agitação

Como talvez você tenha notado nas leituras pouco inspiradoras acima, as tamargueiras marcam tempos de agitação e tensão na Escritura, histórias de conflito duro e desespero. Provações assim são hora de lembrar que, mesmo atribulados, perplexos ou perseguidos, não devemos supor que a desventura seja castigo ou abandono. Pode ser apenas um tempo humilde de segurar firme uma verdade simples, sem enfeite:

Deus vê — Gênesis 16:13.

Deus ouve — Gênesis 21:17.

Ele age em favor de quem nele confia, o defensor de quem está “debaixo do arbusto”.

Nunca ouvido humano ouviu falar de um Deus como tu. Nunca olho humano viu um Deus maior do que tu. Nenhum deus, a não ser tu, age em favor de quem nele confia.

Isaías 64:4